Memória Viva

Introdução

Um século de História

A Acit: passado e presente

 

Taubaté entra na era do capitalismo

A expansão industrial e a formação do empresariado

 
 

Taubaté entra na era do capitalismo

Durante a segunda metade do século XIX até o início do século XX, os empresários taubateanos aprendiam a reagir às variações no comportamento do recém instalado sistema capitalista no Brasil.
A explosão de capital circulante proporcionada pelo ciclo cafeeiro trouxe profundas mudanças no pensamento empresarial brasileiro, principalmente no Vale do Paraíba, por ser, no período, a região de maior importância econômica do país. Atividades antes assessórias, como serviços e comércio de supérfluos, ganharam importância primeira na sociedade. Gradativamente, o centro dinâmico da sociedade deixava de ser as grandes fazendas para os centros urbanos, e foi isso que Taubaté experimentou durante esses anos.
Os ricos fazendeiros formavam o grupo que determinava as flutuações do mercado interno e o comportamento da social. Eram os maiores acionistas do processo de modernização brasileiro. Investiram volumosas quantias de capital em obras de infraestrutura, o que modificou sensivelmente o cenário urbano.
Pouco a pouco, as ações desses homens iam de encontro umas com as outras, e davam sinais de que havia a necessidade da realização de ações conjuntas. Que aconteciam, mais ou menos intensamente.
Com o tempo, o centro comercial de Taubaté foi crescendo, aumentando sensivelmente o fluxo de mercadorias e de mercadores. Casas comerciais de diversas naturezas (principalmente de vestuário e alimentos) surgiam diariamente, disputando espaço e se afirmando. A imprensa, nascida em 1861, além de ser um símbolo de modernização, era a vitrine dos comerciantes bem sucedidos.
Outros símbolos de progresso surgiam. Em 1876 a instalação da Estrada de Ferro D. Pedro II, ligando São Paulo ao Rio de Janeiro, com parada estratégica em Taubaté; em 1878, a inauguração do Teatro São João, o primeiro espaço cultural da cidade; três anos depois, a implantação da linha de bondes de tração animal. Pode-se dizer, no entanto, que esses sinais de modernização eram apenas a preparação para o que aconteceria na década de 1880 em Taubaté.
Em 1883, criou-se na cidade, por iniciativa do Visconde de Tremembé (o mais rico fazendeiro da cidade), a primeira indústria taubateana: a Companhia de Gás e Óleos Minerais, com o objetivo de explorar o Xisto Betuminoso e abastecer os gasodutos para iluminação pública na cidade. Em 1884, alguns pontos da cidade modificaram sua rotina e passaram a serem centros de atividades noturnas, aumentou a circulação de pessoas, ampliou-se as encontros culturais e a segurança nas ruas.
Outras duas mudanças foram relevantes. Em 4 de março de 1888, dois meses, portanto antes da Lei Áurea, uma lei municipal garantiu a liberdade de todos os escravos em na cidade, inserindo definitivamente a cidade no modelo econômico mundial, que preconiza o trabalho assalariado. A liberdade jurídica garantida a todos os brasileiros com a abolição tensionou o sistema monárquico, e ampliou as idéias dos propagandistas republicanos. Em 1889, assim como o restante do país, Taubaté assistiu a Proclamação da República, que abandonava todos os critérios antigos de relações sociais, econômicas e religiosas, sendo o cenário ideal para a ascensão de categorias sociais antes secundárias, como os comerciantes e os industriais que não eram proprietários de grandes fazendas.
Em 1890, com o intuito de financiar empreendimentos industriais e, principalmente, angariar fundos para a construção da estrada de ferro que ligaria Taubaté à Ubatuba, alguns ricos fazendeiros e comerciantes da cidade fundaram o Banco Popular de Taubaté, gerenciado por Crescencio de Oliveira Costa e João Affonso Vieira. O banco foi o financiador da Companhia Taubaté Industrial, que foi fundada em 1891, sob o comando de Rodrigo Nazaret e Felix Guisard.