Estado Novo, novo empresário
Nos anos em que a Associação Comercial permaneceu fechada muitas mudanças ocorreram no cenário mundial, nacional e local. O mundo assistiu à Primeira Grande Guerra, e pôde sentir os efeitos de uma economia com pouca estabilidade, crescimento das produções alternativas, para substituição de importações, viu emergir uma nova potência mundial, e a divisão do mundo em duas partes opostas, uma capitalista e outra comunista. No pós-guerra, aconteceu uma explosão de especulações no mercado financeiro, com milhares de pessoas enriquecendo, e o chamado “Capitalismo Financeiro” sendo implantado definitivamente. Era um modelo visivelmente bem-sucedido, tendo em vista que o outro lado do mundo vivia em aparente pobreza – ao menos no que dizia a propaganda.
A glória do sistema foi também sua desgraça. A explosão de especulações produziu a maior depressão econômica que se tem notícia. O
crash da bolsa de Nova Iorque levou milhões de pessoas à miséria, uma enorme onda de suicídios e a quebra do mercado mundial. Inclusive a economia brasileira.
Nesse período, o Brasil assistiu, também, a muitas mudanças internas: um pacto das oligarquias pelo controle político e manutenção dos privilégios econômicos, falido anos mais tarde, a tentativa frustrada de salvar a exportação cafeeira, que causou o colapso da economia do Estado, o rompimento da categoria industrial da comercial, três grandes movimentos armados, em 1924, 1930 e 1932, e o surgimento do Estado Novo.
No cenário local, as mudanças foram estritamente políticas. Taubaté passou do domínio de Marcondes de Mattos para o domínio dos costistas (ou pedristas, como eram chamadosos partidários de Pedro de Oliveira Costa) até o domínio da Família Guisard, iniciado com Felix Guisard, em 1924.
A crise mundial de1929 forçou a reestruturação da economia e do pensamento empresarial. Ao passo que a hegemonia da categoria latifundiária foi destruída, o espaço para novos empresários se ampliou. Com a falta de produtos importados, a indústria, antes atividade secundária, tornou-se o maior empregador e, conseqüentemente, mola motriz da economia nacional.
A dependência brasileira por produtos industrializados importados foi reduzida em função da política de substituição de importações, alavancando o mercado interno.
Para o empresário liberal taubateano, o cenário era o ideal, pois contava com dois pontos a seu favor: a desestabilização dos grupos conservadores e o crescimento da importância da vida urbana, devido a grande migração ocorrida do campo para a cidade. Essa crise apresentou, portanto, aspectos negativos, em função das dificuldades econômicas encontradas em todos os setores, e positivos, por provocar a mudança no pensamento econômico, social e político. Taubaté deixou de ser, a partir daquele momento, a terra dos barões do café para centro industrial do Vale do Paraíba.
Tendo sido eliminado qualquer possibilidade de reação conservadora, em 1934, o empresário Francisco de Barros , retomou as discussões sobre a reabertura da Associação Comercial. Naquele mesmo ano, a entidade foi fundada e passou atuar pelos interesses dos comerciantes e industriais. Felix Guisard foi eleito Presidente, mas recusou o cargo alegando motivos pessoais e assumiu, em seu lugar, o segundo mais votado, Francisco de Barros.
A nova formação empresarial respeitava as endências sociais e economicas enfrentadas pelo Brasil no período. Era basicamente renovadora, na sugestão da eliminação dos antigos vícios para a perpetuação do novo, do moderno.