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Um século de História

A Acit: passado e presente

 

Taubaté entra na era do capitalismo

A expansão industrial e a formação do empresariado

 
 

A expansão industrial e a formação do empresariado

Vários foram os fatores para o início da industrialização taubateana. O primeiro e mais evidente, foi o declínio acentuado da produção cafeeira na região, em função do rareamento de solo e as crises financeiras mundiais, que restringiu significantemente o consumo no mercado externo. Houve a queda nos preços, com a excessiva quantidade de café estocado e a migração do centro produtivo da região do Vale do Paraíba para a região de Campinas.
Outro fator de grande importância foi a mudança no comportamento empresarial. O empresário das terras ampliou e diversificou suas áreas de atuação, financiando empreendimentos comerciais, imobiliários e industriais, formando o que alguns Historiadores chamam de hibridismo social, pois surgiu uma categoria de aristocratas-burgueses.
O cenário social e econômico no final do século XIX era, no entanto, turbulento. A diversificação na produção, no comportamento empresarial, e do mercado, representava sensíveis mudanças de padrão de vida. Muitos dos fazendeiros faliram, pois não foram capazes de acompanhar as flutuações do mercado, ou seja, muitos estavam insatisfeitos com aquela situação, tensionando e dificultando as transformações sociais e econômicas.
Ao passo que os fazendeiros perdiam parte de seu prestígio e poder, setores da sociedade mais coerentes, que viviam investindo numa mesma atividade, enriqueciam, e formavam uma burguesia com menor teor de hibridismo. Felix Guisard, Fernando de Mattos e Carlos Adolpho Leonardo são exemplos disso em Taubaté no final do século XIX.
As duas primeiras industrias taubateanas, a Companhia de Gás e Óleos Minerais e a Companhia Taubaté Industrial, foram as responsáveis em acelerar esse processo de mudanças. Absorveram a mão-de-obra que chegava volumosamente a cada ano na região, principalmente os italianos, já que raros foram os ex-escravos incorporados no mercado de trabalho. Mão-de-obra pouco especializada, mas interessante para o mercado interno.
O final do século e o início de um outro é caracterizado pela expansão da atividade industrial. Até meados do último século, não se pode falar categoricamente em uma industrialização regional, até mesmo uma industrialização brasileira, já que não havia uma unidade coerente entre política e economia industrial, mesmo tendo havido agrupamentos de industriais e comerciantes, no caso da Associação Comercial de São Paulo e mesmo a de Taubaté.
Até 1950, a expansão industrial era lenta. Algumas industrias nasciam e pouco tempo depois desapareciam, poucas foram as que tiveram vida útil relevante, ou mesmo atuação determinante para o processo de expansão industrial. Em Taubaté, nesse período, foi abundante o número de pequenas indústrias, todavia, apenas uma parcela pouco significativa exerceu atividades por mais de dez anos, e a única que desenvolve atividades regulares até os dias de hoje é a Fábrica de Botões Corozita.
Pode-se falar em industrialização regional depois de 1950, com a criação da Rodovia Presidente Dutra, ligando os dois principais pólos econômicos do país: São Paulo e Rio de Janeiro. A rodovia representa um marco por ser o divisor entre dois modelos de industrialização experimentados no Brasil. O primeiro, já citado, era um modelo que relacionava-se à crise no sistema agrário-exportador, caracterizado como um processo espontâneo, isento de um movimento social coeso com a industrialização e de políticas governamentais específicas. Foi uma expansão industrial feita mais para sanar a carência de um mercado consumidor dependente da importação (tendo em vista a redução da capacidade de consumo), e que não estava satisfeita com as limitações do mercado interno, uma camada que cada vez mais crescia e se diversificava, ficando à disposição do setor. O segundo, um modelo internacionalista, com políticas governamentais que davam garantias de benefícios às empresas instaladas no território. Foi quando vieram as grandes multinacionais que espalhavam-se rapidamente por todo mundo.
A partir de então, poucas foram as empresas regionais capazes de manter-se no mercado, tendo em vista, principalmente, a competitividade, já que não conseguiam praticar os mesmos preços que as multinacionais, com produtos de boa qualidade e preços menores. No entanto, surgiram ao redor das grandes empresas o chamado mercado de dependência, que funciona como assessório aos grandes produtores, servindo-lhes peças e serviços.
Atualmente, uma significativa parcela das industriais locais é dessa natureza, são abastecedoras das grandes empresas, responsáveis pelo bom funcionamento da dinâmica do mercado.